Felicidade pura
Comecei a contar os dias no calendário da cozinha, um risco de caneta por manhã, como quem marca a validade de um iogurte. Vinte e dois riscos até
Na terceira manhã de julho, Sílvio encostou a caneca de chimarrão na beirada da pia e ficou uns bons minutos parado na frente da janela da cozinha. Lá
Trabalho como veterinária clínica há dezoito anos num consultório de bairro em Curitiba, na Vila Izabel, e já perdi as contas de quantas vezes um tutor entrou pela
Na segunda-feira, o termômetro marcou trinta e oito e cinco. Em três anos, nunca tinha mandado uma mensagem daquelas: avisei à Renata que não ia dar conta dos
A mortadela vinha desaparecendo da geladeira fazia três dias. Primeiro achei que tinha comido e esquecido. Depois sumiu metade do pacote de queijo fatiado. Na quarta manhã, flagrei
— Sabe do que eu sinto falta? — o Artur falou no microfone, com a voz arrastada pelo uísque barato. — De uma mulher que não cheire a
A campainha da cozinha tilintou três vezes, curta e seca. Era o sinal do seu Osvaldo. Dona Irani limpou as mãos no avental encardido e foi até o
Mariana entrou na cozinha com o café ainda quente entre as mãos. Quarenta e três por cento. O número martelava na cabeça enquanto ela colocava a xícara na
A bicicleta elétrica me custou R$ 5.200. Sete meses depois, vendi por R$ 3.800. A diferença — R$ 1.400 — eu encaro como o preço da paz. Mas
Ouvi a voz do Eduardo antes de girar a chave. A porta do apartamento estava entreaberta, e ele falava ao telefone com a mãe, dona Neusa, aquele tom
