— Nuno, preciso que me ajudes, — disse Helena.
Ele levantou os olhos, surpreendido. A sogra raramente lhe falava sem alguma crítica.
— A minha irmã Rosa partiu a perna. Tem uma casa com jardim e o gato está doente. Tu estás de férias.
Rosa sempre tratara Nuno com respeito, por isso ele aceitou.
Durante vários dias tratou do jardim, reparou o portão, fez compras e levou o gato ao veterinário.
Um dia regressou para buscar o telemóvel que tinha esquecido.
Encontrou Rosa em cima de uma escada, sem qualquer dificuldade.
— Afinal, recuperou depressa.
Rosa ficou envergonhada.
— Perdoa-me. A Helena pediu-me para fingir. Queria manter-te ocupado enquanto a Catarina se encontrava com outro homem. É filho de uma amiga dela, um empresário.
Nuno ficou em silêncio.
— Onde estão hoje?
— Em casa da Helena. Chama-se Diogo.
Quando a sogra abriu a porta, ficou pálida.
— Não devias estar com a Rosa?
Nuno entrou.
Catarina estava sentada junto de Diogo, com a mão sobre o joelho dele.
— Vejo que cheguei na altura certa.
Catarina levantou-se.
— Nuno, não é o que parece!
Diogo olhou para ela, chocado.
— És casada?
— Disseram-me que a relação estava praticamente terminada.
Nuno voltou-se para a sogra.
— Interessante. Parece que todos sabiam do meu divórcio menos eu.
Helena tentou justificar-se.
— Eu queria uma vida melhor para a minha filha.
— E para isso precisava de uma lesão falsa?
Diogo levantou-se.
— Não quero fazer parte disto.
Catarina começou a chorar.
— Eu não te traí.
— Apenas quiseste testar uma alternativa enquanto eu cuidava da família.
Nuno anunciou que pediria o divórcio. A casa e o carro eram dele de antes do casamento.
— Envio as tuas coisas para aqui.
— Não podes decidir tudo de repente!
— Vocês decidiram primeiro. Eu apenas aceitei a decisão.
Nuno foi para a casa de campo dos pais. Bebeu café na varanda e observou o entardecer.
Percebeu que a dor não vinha apenas da presença de outro homem.
Vinha de descobrir que a mulher em quem confiava aceitara transformá-lo num obstáculo.
Rosa telefonou depois.
— Desculpa.
— A senhora foi a única que acabou por dizer a verdade.
Catarina quis conservar o marido enquanto descobria se existia alguém melhor.
No fim, perdeu ambos.
