Chamo-me Helena e sou cinco anos mais nova do que a minha irmã, Teresa. Quando ela saiu de Portugal, eu tinha quinze anos.

A minha irmã partiu para a Alemanha em 1987 e cortou todo o contacto. No mês passado encontrei-a no Facebook.

Dois dias depois respondeu:

«Sabes por que parti. Pergunta à mãe sobre o verão anterior.»

Desde que mostrei a mensagem à minha mãe, ela permanece calada.

Chamo-me Helena e sou cinco anos mais nova do que a minha irmã, Teresa. Quando ela saiu de Portugal, eu tinha quinze anos.

Durante trinta e sete anos, a mãe afirmou que Teresa escolhera a Alemanha em vez da família.

Acreditei.

O pai morreu há onze anos. A mãe, com oitenta e quatro, vivia ainda no mesmo apartamento em Coimbra.

Recusou explicar.

Procurei a irmã do meu pai. Depois de muita hesitação, contou:

— A Teresa teve uma filha.

No verão de 1986, Teresa engravidou de um rapaz que planeava emigrar. Queria ficar com o bebé.

Os nossos pais temiam a vergonha e a pobreza. Mandaram-na para casa de parentes, onde deu à luz uma menina.

A criança foi entregue para adoção.

Disseram a Teresa que tinha morrido.

Meses depois, ela descobriu a verdade e partiu para a Alemanha.

Confrontei a mãe.

— Queríamos protegê-la, — disse.

— Tiraram-lhe a filha.

A mãe guardava uma fotografia e os dados da família adotiva. A menina chamava-se Mariana.

Escrevi a Teresa. Retomámos contacto.

Ela contou que me enviara cartas durante anos. A mãe escondia-as e dizia-lhe que eu não queria saber dela.

Encontrámos Mariana através de uma associação. Era uma mulher adulta, com família.

Aceitou conhecer Teresa.

Não houve abraço imediato. Houve perguntas e silêncio.

Mariana amava os pais adotivos. Eles acreditavam que Teresa desistira voluntariamente.

— Não posso chamar-lhe mãe de repente.

— Não peço isso. Só quero que saiba que nunca a esqueci.

A mãe pediu perdão, mas Teresa recusou encontrá-la.

— Não posso oferecer-lhe paz apenas porque envelheceu.

A mãe escreveu uma carta assumindo a culpa.

Teresa não respondeu.

Hoje falamos todas as semanas.

A minha irmã não abandonou a família por egoísmo.

Fugiu de uma casa onde lhe roubaram a filha, esconderam as cartas e a transformaram na culpada de uma separação criada pelos outros.

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